terça-feira, abril 24, 2007

Diário de uma Plebeia (dia 5)

Langford - Bristol - Bath - Bristol - Langford

Hoje o dia começou aos trambolhões, cheios de sono e cheios de ouvir a chuva a bater-nos na janela. Os brits não se incomodam, não são duas pinguinhas que lhes vão estragar este Verão de Abril, e as britas continuam em caveadas e alcinhas (tsss, tsss, tsss,...)
Ganhámos coragem, saimos da cama, vestimos o exemplar de roupa quente que trouxemos e apanhámos o autocarro para Bristol. Parámos para deixar o pato atravessar a estrada - os nativos têm prioridade. Pronto, já tá, adeus bichinho! Vamos para Bristol.

Em Bristol vamo-nos dando conta de rasgos de civilização quando vemos estacionamentos de bicicletas completamente lotados. Paramos no mercado para comer uns pasteis de nata e beber um cafe. Ah pois..., aqui há uma tasquinha de comida portuguesa e as diárias até contam com um arrozinho de feijão bem malandro (ou não fosse ele português).
La foram a bela da nata e o café, expresso, pois com certeza. E nós fomos até à coach station apanhar o autocarro para Bath, a cidade dos banhos romanos, fundada em 43.
Primeira visita da terra:Bath Abbey, a última grande igreja gótica de Inglaterra, fundada em 1499, pelo Bispo Oliver King, que teve um sonho em que o mandavam arrasar a catedral normanda (de 1090), a qual ja tinha sucedido a uma igreja anglo-saxónica de 757... Enfim, A história da Igreja em Bath a meter muita água, ao estilo de uma novela mexicana. Tenham cuidado com o que sonham...
À entrada, um convite a que deixemos 3 libras para ajudar a manter a abadia bonita e arranjadinha e um mordomo muito simpatico que nos entrega uma visita guiada em papel pela Abadia, com todos os pormenores historicos, em português - um luxo. A igreja tem lugar para 1200 pessoas, sentadas. Os altares são em tecido bordados com... tecidos. A meio, o púlpito, cheio de pormenores e dourados e a sua melhor amiga, a senhora que o limpa três vezes por semana durante três horas.

À saída da abadia,a necessidade de calar o estômago. Lanchámos mesmo ali na praça: uma baguete a libra e meia e uma cola a 50 pence (podem fazer as contas, mais barato do que por Portugal, sim... - mas só fora de Londres), e como música de fundo o barbas e a sua guitarra cantavam-nos o country road e ainda nos fez uma vénia para agradecer a ajuda nos refrães.
Faltava fazer a visita principal: Bath - Banhos Romanos. Lá perdemos amor a dez libras e fomos ver a obra que os romanos, nossos primos, cá fizeram em 43. Três piscinas de água quente com tamanho suficiente para muitas braçadas ao mesmo tempo. A minha preferida foi a piscina redonda. Nada erótico na escolha: é que a piscina estava carregadinha de moedas (era a piscina dos pedidos, tipo fonte dos namorados)... e se tivermos em conta que cada moeda de duas libras sao três euros, digamos que aquela piscina apinhada era-me terapêutica até sem a água termal...
Os montinhos de tijolos aqui ao lado foram o regalo do jójó. Isto são os pilares da civilização do piso radiante. A água termal passava por ali e acima dos tijolinhos o chão estava óptimo para se andar descalço depois dos mergulhos.... (uns visionários estes romanos, nós sabemos.)
A volta foi atribulada. começou a chover. O autocarro atrasou-se um bocadinho e o nosso outro autocarro (último, sublinhe-se) quase, quase a sair. Conseguimos entrar, mas não sem antes ouvirmos um raspanete de todo o tamanho sobre entrar em autocarros em movimento (se fosse um avião morríamos!!) e além disso o sr. motorista também já estava «muito atrasado, três minutos atrasado»!
Descobrimos que em Portugal nem tudo é mau e até sabemos para onde vão os autocarros quando são demasiado velhos para as nossas estradas (qualquer desfocagem tem a ver não com a máquina, mas com o facto de o referido meio de tranporte abanar por todos os lados).
Chegámos a casa, jantámos, fomos ao pub (hoje fechou tarde - às onze) e cama.
Amanhã é outro dia.

segunda-feira, abril 23, 2007

Diário de uma Plebeia (dia 4)

Langford (unidade de estudo de agro-pecuária, dentro e fora)


Hoje o dia começou mais tarde. Nao tivemos tempo de dizer bom dia a ninguém. Quando decidimos sair da cama já todos os Ben's da terra tinham rodado os braços uma quantidade de vezes. Tempo de fazer o almoço. A trabalhadora cá do sítio e nossa mui honrada hospedeira chegava depois da uma para almoçar. Pus-me de serviço à cozinha. Hoje a comida continua a ser portuguesa. Até sopinha há.

Depois do almoço decidimos usufruir da hospitalidade da unidade e aproveitar as bicicletas que têm à disposição para conhecer as redondezas. Planícies muito grandes, muito verdes, com muitas vacas de todas as cores, com muitas ovelhas (estas são brancas também), muitos coelhos, muitos corvos, muitas casas muito tipicamente inglesas e... country.
Atenção!! pela esquerda, pela esquerda... E quando achamos que o cérebro já se habituou eis que a donzela se atravessa no cruzamento pela direita com um carro de frente! «Ó senhor, tenha calma, que eu sou estrangeira!»

Voltamos ao campus.
Passámos de bicicleta pelo corredor dos animais e aproveitámos para dar palha e festinhas aos cavalos (aos simpáticos, que alguns estavam armados em cavalos de corrida...). E dar duas de treta com os porcos, quer dizer, leitões... Consegui pô-los todos a conversar comigo, eles também já devem estar fartos deste dialêto estrangeiro. Saudades da bairrada com certeza...

Bicicletas de volta à gaveta, voltámos à cozinha, cansados por um dia passado totalmente em green acres. Ao jantar,vinho italiano a regar a conversa. Isto de estar num campus multicultural tem as suas vantagens....

Amanhã é outro dia.
(Este relato está a ser completado em homenagem aos fellow-travelers. Há coisas que não podem deixar de se recordar. E mais vale tarde que nunca.)

domingo, abril 22, 2007

Diário de uma Plebeia (dia 3)

hotel - centro - Bristol - Langford

Depois dos banhos, o pequeno-almoço, com direito a bacon, ovos, salsichas, feijao, tostas, cereais, compotas... Cereais tá de bom tamanho para nós que temos o estômago sensivel, mas hoje decidi arriscar no ovo estrelado também.
Hoje é dia da maratona de Londres. Embora ainda tenhamos de olhar para o mapa antes de pedir licença aos pés para andar, a coisa começa a rolar. Evitámos os autocarros e fomos feitos toupeiras até ao Palácio de Buckingham onde a union jack avisa que a rainha tá lá hoje... Também, hoje é dia da maratona...
Deu para ver que aquilo dos guardas é mito. Ou então estava a ser literalmente «chato» o guarda real ficar quieto...

Mais um passeio pelo parque e rumamos ao Tate Modern Gallery para dar uma de cultidão. No meio de muita arte mal compreendida por estes que leigos se confessam lá encontramos algumas peças que nos obrigam a reconhecer que isto de fazer arte não é para qualquer artista...

Mesmo ao lado, o Shakespeare Globe Theatre, e hoje era o aniversário do senhor. Bilhetes à borla para conhecer o sítio. Visita guiada e espectáculo incluído. E, surpresa das surpresas, até fui actriz por um dia. Retirada do público vesti num minuto a pele da freira Elizabeth, por quem o padre de serviço estava apaixonado. Momento único para mais tarde recordar. Há coisas que nem combinadas corriam melhor.

Do resto do dia nao há codaques a certificar. Corrida a recolher as malas do hotel. Corrida muito sofrida para chegar a victoria coach station onde o bilhete de autocarro para Bristol já estava comprado. Duas horas e meia de autocarro-sauna para Bristol. Mais três quartos de hora de autocarro e taxi de Bristol para Langford, uma unidade de estudo de agro-pecuária perdida no meio do countryside. Jantar (comida que lhe mereça o nome finalmente), cavaqueira, bolo de chocolate (um convite para provar que resulta na devoração quase ate à ultima migalha do doce), o primeiro café-café desde que chegámos à terra deste dialêto americano, e cama.

Amanhã é outro dia.

sábado, abril 21, 2007

Diário de uma Plebeia (dia 2)

hotel - centro - hotel - ... hotel

O dia começou com a aquisição do bilhete para os tais autocarros em que se apanha vento na montra, trocámos o tubo pelo sol e descobrimos que na terra dos brits qualquer motivo é legítimo para manifestação, seja para pedir mais chocolate no cafe, que o pagamento de impostos nao seja hereditário, ou até para reivindicar que o Ben se passe a chamar Charlie.

A viagem no bus é alternada com um cruzeiro no Tamisola. Uma viagem embalada no rio que tem marés para apreciar as vistas para os principais pontos turísticos e tomar consciencia que o novo e o velho em Londres se combinam de uma forma que nos faz pensar que alguns prédios na lusa terra caíram de paraquedas nas zonas históricas.
Aqui, o sightseeing é delicioso. Até os bichinhos gostam.

Algumas badaladas impõem-nos mais respeito que as do Ben. O estômago dá horas nos arredores da Torre de Londres e é mesmo ali ao lado da fortaleza que decidimos petiscar um dos pratos da terra. Chicken and Chips servido por uma senhora espanhola que praticamente nos implorou que falassemos em português por estar saturada desta maneira «esquisita» de falar. Ali almoçamos enquanto o toldo para protecção das obras na torre anunciava que estavam «giving the palaces the care they deserve». Manias... Acertamos em cheio com a visita à torre. Preparadinhos ao lado estavam os canhões para 62 salvas de palmas para o aniversário da rainha. A lisa faz anos. Felicidades para a lisa. BUM!

Ao fim de dois dias em Londres já nao é qualquer veículo motorizado que nos chama a atenção. Vemos três porches (carrera + carrera + carrera gt) a arrancar dos semáforos ao mesmo tempo e até já nos parece normal, mas ainda não tínhamos à vontade suficiente para fazer de conta que uma limusine hummer era uma coisa banal.... É muito triste ser pobre. E eles teimam em lembrar-nos disso.

Estas maratonas fazem-nos lembrar de que somos humanos e que a nossa preparação física não está lá aquela coisa. Vemos o Hyde Park e agradecemos a deus os bifes serem tão dados a parques e a dias passados nos parques, e a piqueniques nos parques e jogos de futebol, e basebol, nos parques, e até bronze nos parques. Entramos em período económico por uns minutos e quando o frio veio planeámos ir a casa descansar um bocadinho e comer qualquer coisa para depois voltar ao centro e curtir a noite...
A intenção era boa.

Amanhã é outro dia.

sexta-feira, abril 20, 2007

Diário de uma Plebeia (dia 1)

Stansted - metro - «hotel» - centro - «hotel»

Com os pés ainda dentro do aeroporto, já em solo estrangeiro, a compra dos bilhetes mais apropriados para chegar ao destino é a primeira luta. Tudo quanto é brochura vai parar à mala e a viagem pouco a pouco transforma-se num circuito de transporte e acumulação de pesos. Mapa do metro feito num oito, quase decoramos as estaçoes do tubo antes de passarmos sequer por elas e demoramos uma hora a encontrar o hotel embora estivesse mesmo ali ao lado... Um casarão lindo por fora e velho por dentro, com uma senhora certamente da familia Adams, mas que primava pela simpatia. E o sítio era pobre, mas aconchegado. Jeitosito.
Instalados, aproveitámos o sol para encetarmos a conquista ao centro de londres.

Autocarros de dois andares, taxis de todas as cores de uma marca que só pode ser a marca «taxis de londres», casas-em-linha multiplicadas ao infinito em contornos sobretudo victorianos, e ao fundo o grande Ben... Outras das atrações da terra são os ferraris, os maserattis, os mustangs, as limusines e outros topos de gama que se clonam como se saissem nos corn flakes, a ponto de até a policia de passear em bmw. O pessoal por aqui trata-se bem.

Mais umas voltinhas a pé pela praça Trafalgar, as Câmaras do Parlamento, o olho de Londres e o rio Tamisola.... e o frio. Altura de recolher. Jantar, só no Mac. Único estabelecimento aberto às 22h.

Na viagem para «casa» deu para ver mais uma das características não ditas dos londrinos. Parece que desde os ataques bombistas eles têm medo de caixotes do lixo espalhados. Como resultado, ao final do dia, a cidade transforma-se numa confusão de jormais desmembrados e pacotes vazios... um esforço deles para que nos sentíssemos em casa, talvez...

Amanhã é outro dia.

segunda-feira, abril 09, 2007

Brainstorming

àqueles que, com o tempo, se mostraram tao amigos assim
(para f.)
Sim, claro que vou. Nada me faz deixar de ir. Gosto muito de ti. De vos. Sei que é recíproco. Que tambem gostam de me ter por perto. Não podia deixar de estar com quem tem tanta consideração por mim. O ouro é de se manter e vocês são, no momento, uma grande fortuna. Garimpeira de sorte que eu sou. Gosto de voces até quando falam de mim. Sei que é por me desejarem o melhor. E sempre que precisem de mim, eu estou aqui.

sexta-feira, abril 06, 2007

Afiar os dentes

Dizem que se deve ir ao dentista uma vez por ano. Diz-se o mesmo de outras variedades da medicina. O que é facto é que eu posso ver mal e ter uns olhos bonitos, mas com os dentes a coisa pia mais fino. Os dentes influenciam no aspecto geral de cada um e até (peço desculpa se a imagem for pouco apelativa) no cheiro de cada um. Eu gosto de apreciar dentes. E sorrisos. Não sou um exemplo no que diz respeito às visitas ao tal estomatologista, mas tenho sorte. Tenho a boca cheia de dentes, mais ou menos bem alinhados, que nunca me deram problemas de maior. Não sei o que é uma dor de dentes (assim fosse com as de cotovelo).

Dizem que a saúde é uma grande riqueza e estúpidos seríamos se não concordássemos. Os dentes também são uma riqueza. Até marfim têm. E o marfim sempre foi objecto de cobiça. Claro que ninguém olha de inveja para a boca mais preenchida de outrém a pensar «Aquele é que tem marfim!... eu não tenho quase marfim nenhum...», mas é cobiça.

Época houve em que o comércio do marfim estava em voga, era mais uma maneira de usufruir das riquezas tribais. Ontem fizeram-me pensar nisso mais a fundo, em A Frente do Progresso, do polaco Joseph Conrad, uma espécie de Apocalipse Now trazida para o palco do Teatro Carlos Alberto. Um entreposto comercial plantado ao sol no meio de mosquitos e de uma tribo enganada pelo tempo. O objectivo: conseguir marfim. O marfim era conseguido através de justíssimas trocas directas com os indígenas, justíssimas porque é justo que o marfim seja entregue a quem o quer. E era. Marfim, mais de gente do que de animais, entregue mais a animais do que a gente.

segunda-feira, abril 02, 2007

Optimismos

Acredito que o mau maior defeito e a minha maior qualidade são um só: o optimismo.
Prefiro ser sempre optimista. Não tenho um motivo racional para isso. Mas acho que devo sempre acreditar, devo esperar, devo empenhar-me ao máximo, devo ser a pessoa mais activa no meu projecto de vida em qualquer frente. E acabo por exigir dos meus amigos o mesmo, ou pelo menos impelir a isso todos aqueles a quem muito desejo. Isso nao garante que as coisas cheguem a bom porto, é certo, mas acredito que é assim que deve ser.
Encontrei numa série televisiva alguém que expressa isto de uma maneira muito minha:

«I believe in the good (...) I believe in a lot of things. (...)
I believe that if I eat a tup of butter and noone sees me, calories don't count. (...)
I believe we will survive,
I believe that believing we survive is what makes us survive.»

Grey's Anatomy, Season 3, Episode 16 (Izzie)

quinta-feira, março 29, 2007

A Saúde está doente... e independente

Não, não acontece só aos outros.
Não me agradam as notícias das filas de espera, as manobras de pseudo-baixa de preços dos medicamentos, o fecho de maternidades, de SAPs e de unidades de apoio à saúde em geral.
Curioso como fecha tudo, mas as farmácias continuam a nascer como cogumelos no orvalho. Deve ser uma espécie de lei da compensação. Como não posso pedir aconselhamento, aconselho-me eu e que uma força de maior poder me auxilie.

Tenho em crer que a seguir esta política de que 'pouca gente não vale uma unidade de saúde aberta' qualquer dia recusam os serviços de saúde a famílias pequenas. Já estou a imaginar a triagem: «Pai, mãe e filho? Só? Não é preciso médico de família, há poucas probabilidades de precisarem de serviço médico. Só as famílias grandes é que precisam. Vivem atafulhadas, alimentam-se de pouco, tossem uns para cima dos outros. Médicos só para as famílias grandes!»
E que não adoeçam todos de uma vez que o Sótôr não se pode demorar que tem já gente à espera em casa e ganha muito mais.

Nestas alturas o que eu gostava que os pais dos ministros vivessem em recônditas aldeias do interior e tivessem de visitar amiúde as unidades de saúde mais próximas*...
(*entendamos próximas na definição que o dicionário da Universidade Independente lhe atribui: «longe, muito longe da realidade»)

quinta-feira, março 15, 2007

sim, sô guarda!

Ó, desculpe, isso é meu!!
(Havia de ser bonito se eu chegava dois minutos depois. Carro pendurado, escrita em dia. «Quem incomoda, incomoda-se». Nojentos!)

Ai e tem de pagar.
Não tenho cheques aqui, pago com multibanco.
Ai não temos. Tem de levantar.
Onde?
Só um momento, chamamos um carro patrulha, e leva-a ao multibanco mais próximo, não se importa, pois não?
E quê? posso tirar uma foto para mostrar mais tarde aos netos com uma história toda rocambolesca a colorir? Não? Pronto, eu vou na mesma.

Multibanco a acompanhar era o mínimo não?
Tesos, sim, quase todos somos. Na carteira, então, vivinho, como a sardinha do 'noss'mari, salvo raros capitalistas, carteiristas e propagandistas, somos todos.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Em busca do arco-íris

O amor, a amizade, o trabalho, a saúde, a família, o sonho e a paz aparecem não se sabe bem como.
Cada um com as suas características dá algum contentamento às pessoas em que se vai sediando. Multiplicam-se. Quando se encontram, formam pequenas sociedades que aumentam a alegria numa proporcionalidade directa.

Às vezes acontece que se encontram todos, como num casamento de uma prima afastada. Bem aproveitadas as oportunidades, formam uma sociedade chamada felicidade e crescem juntos, e conseguem passar todas as coisas boas para os outros, mesmo os que não foram ao casamento da prima.

Uma empresa mostra crescimento quando se multiplicam as delegações.

sábado, fevereiro 17, 2007

Um amigo? Sim, Obrigada

amigo da onça
o roque e a amiga
amigo de infância
amigo colorido
amigo do peito
um ombro amigo
uma palavra amiga
amigo de Peniche
o melhor amigo
com amigos assim...
um livro é um amigo
o cão é o melhor amigo do Homem
.
No que diz respeito à amizade o conceito faz lembrar a frase feita sobre a farmácia e deixa um largo espectro à noção de relatividade. Por isso é tão recorrente em provérbios, frases feitas e expressões idiomáticas, a mostrar que os amigos não só são para as ocasiões, mas que também há amigos para todo o tipo de ocasiões.
Falávamos há alguns meses que as amizades que se pretendem duradouras têm de ser cuidadas como quaisquer outros laços pretensamente mais importantes. Não me lembro de ninguém que tenha sido feliz sem amigos.
E por isso dizias ontem que não havia nada de fantástico na tua vida agora mas que te estavas a divertir muito, entre risos, copos quase vazios, pés cansados e muita anca requebrada.
.
«Ficas para sempre responsável por aqueles a quem cativas»*.
.
* O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry

terça-feira, fevereiro 13, 2007

AsFIXia-ME

Não posso deixar de partilhar um recado que li esta semana.
Um entre tantos (mesmo tantos) textos de ler e reler e a cada leitura ler diferente.

«Recado escrito num papel rosa

Não fugi.
Fui só às compras.
Não sei porque não fujo, talvez porque não posso.
Não sei porque volto. Talvez porque precise.
Espera por mim que eu volto, enquanto puder.
Mas quando eu fugir, vai atrás de mim
e faz-me sentir amada.»

PAIXÃO, Pedro, Asfixia, Quetzal Editores, 2006, p.25


É bom ter hobbies que nos trazem prazeres assim.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Faz hoje um ano V

Também há quem lhe chame o prato do dia de ontem. Alguns pratos até me sabem melhor depois... Há coisa de um ano saiu o seguinte escrito. Considerem-no partilhado.



Pôr a mão no bolso


Temos o estranho feitio de só dar a importância às coisas depois de as maturarmos perdidas. Foi assim que aconteceu com o meu avô, foi assim que aconteceu com a minha amiga. Não que tenha nisso alguma culpa, mas só depois de se porem num nível a que não mais é possivel ceder reparei a falta que me faziam. O conforto em saber que estavam lá.
Às vezes temos ouro nos bolsos e não sabemos.

Às vezes sabemos e não podemos desfrutar da riqueza que possuímos. Não por ter os olhos vendados: o facto de termos os olhos cerrados não significa que não consigamos ver para lá do muro. Nem por estar de nariz tapado: a constipação mais mental imaginável não nos impede de saber que situações «não nos cheiram», nem nos impede de sentir aquele cheiro confortável de quem nos facilita a vida só com um sorriso. Nem por causa da boca fechada: as palavras servem de muito pouco até, no que diz respeito à constatação do ouro que nos faz falta, há tanta coisa que nos denuncia mais do que as palavras: o telefonema que se evita, o reler e reler da mensagem que não houve coragem para mandar, o rodar da cabeça para depois não conseguir expulsar os pensamentos...
Às vezes não podemos desfrutar porque... Bem, talvez não tenhamos que saber a razão.

Talvez um anúncio: Pepita dourada procura garimpeiro de fé.
(Talvez só com fé mesmo...)

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Então e hoje, posso estar doente?

Talvez seja da água. Entre amigos, colegas de trabalho e alunos, e familiares de uns, outros e aqueloutros, na última semana houve baixas suficientes para fazer levantar a bandeirinha branca em qualquer frente de batalha.
Ora eu, que sou vaso ruim e, portanto, não me vou abaixo por dá cá aquela gripe, resisti... Até que a febre me mandou para a cama precocemente no Sábado por volta das três, praticamente à hora da cinderela. Num Sábado!! Sábado não é dia para estar doente! Para compensar no Domingo só me levantei para dois episódios irrefutáveis da biologia. Mas hoje, Segunda-feira, não é dia para estar doente. Quer dizer... pelo menos não para mim, que trabalho a recibos verdes...
No entanto, cheguei a casa e visto o frio que se sentia e a minha dor de cabeça ameaçadora, e a tosse que me faz corcunda a cada trinta segundos, e o pingo no nariz a uma velocidade de 20 pl/h (pacotes de lenços por hora), dei-me ao luxo de avisar uma explicanda que hoje estava doente, de cama, impossibilitada de dar explicações, ao que me foi respondido depois de chamadas insistentes «mas eu tenho teste amanhã». Não respondi.
Estou doente. Posso, não posso?

encerrado para obras

Pois...
O blogger esteve encerrado para obras, ao que parece andaram a mudar as trouxas...
O único problema é que eles procuraram novos aposentos reais e aqui a princesa é que ficou sem-abrigo, com este tempo, nao se faz... vai daí e pumba! Constipei-me!

P.S.:Agora que já tenho outra vez a chave de casa posso vir cá mais amiúde.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Carta ao Pai Natal

Dizem que nas escolas, no final do primeiro período, deve fazer-se uma festa de Natal, e cantar canções de Natal. O «A Todos um Bom Natal» nunca me deixou muito convencida, nem aquela do «É Natal, é Natal...». E depois... quer dizer, há tantas músicas de Natal e todos sabemos as mesmas.
Decidi fazer uma. Quer dizer, uma letra... que segue a seguir e que podem entoar como o «It's a small world» da Disney, que por si já é divinal.
As ilustrações são dos pequenos.


O Natal é cheio de luz e amor
Pinheirinhos, fitas e bolas de cor

Tem presépio e prendas
Que nos trazem as renas
no trenó do Pai Natal.

Refrão:
Vou escrever ao Pai Natal
Vou escrever ao Pai Natal
E pedir pró ano todo ser assim especial

Este ano eu não quero uma boneca,
Nem computador e nem bicicleta
Quero sol, quero paz
e sei que és capaz
meu querido Pai Natal.

Na televisão vejo alguns meninos
Que não têm pão e nem casaquinhos
Dá-lhes prendas de sopa,
e embrulhos de roupa
meu querido Pai Natal.

Quero ter amigos pra brincar comigo
Quero ter saúde até ser velhinho
Quero que a tristeza
Vá pra baixo da mesa
meu querido Pai Natal

E para ajudar na distribuição
Vou dar os brinquedos da arrecadação
E pró ano que vem
Eu vou portar-me bem
meu querido Pai Natal.

domingo, dezembro 10, 2006

Preferências

Prefiro falhar por não me ter esforçado o suficiente, do que esforçar-me ao máximo e ver que toda a minha força não chega. Nada me frustra mais do que isso.
No entanto, prefiro arrepender-me do que faço a lamentar-me do que não fiz.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

vodaf***

«Informação Vita Clube: a partir de 8 de Janeiro as chamadas gratuitas para números da rede 5 terão um limite de 30h por mês.»
30 horas por mês?!?! Tem algum jeito?!? Eu sou mulher!! Mais do que isso falo eu por dia!

segunda-feira, novembro 20, 2006

Run (for) my life

No matter how I walk or run
No matter how I fly or sail
All I can find is noone
I'm chasing a fairy tale
Wake me up and rescue me
Show the light I can not see
To be as happy as I'm to be

domingo, outubro 29, 2006

Bem: como gato e peixe

Ele era um gato e tinha uma fama...
Ela queria uma vida com ele.
Mas isso num gato é sempre complicado.
Em pouco tempo a vida dele é outra.
Ela queria mesmo era ser um peixinho dourado,
para nao ser rasteirada pela longevidade...

sábado, outubro 28, 2006

E tudo o resto

dos risos
das críticas
das músicas
dos filmes
das críticas
dos risos
das piadas
das conversas
dos monólogos
das críticas
dos telefonemas
dos risos
das conversas

Tenho saudades.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Faz hoje um ano IV

Um desejo de uso caseiro

Todos os electrodomésticos costumam ter dois anos de garantia pelo menos. É o mínimo. Comprei há pouco tempo um desejo electrodoméstico, que é como quem diz, um desejo de uso caseiro, que funciona a energia eléctrica.

Pois bem... o circuito em volta tem tido muito pouca energia e eu não tenho andado nada eléctrica. Penso que de vez em quando até há cortes de corrente nesta zona, pelo que o meu desejo de uso caseiro não se concretiza. Tenho em crer que estou no meu direito de ir à loja e trocá-lo por outro, Talvez um que dependa apenas de mim, sei lá... Um eólico não, que só funcionaria enquanto durasse o Outono e o chão não estivesse transformado em roupeiro de árvores. Um hidráulico iria parar assim que acabasse o pão de ló e o coelhinho da Páscoa regressasse ao país dos ovos de chocolate. Se dependesse da energia solar o meu desejo extinguir-se-ia quando o frio não me permitisse gozar o cheiro a maresia. Qualquer coisa a pilhas teria, muito embora fosse de fácil substituição, pouca duração e não me interessa tanta oscilação de energia. Acho que a melhor solução seria um desejo que trabalhasse como o meu relógio, pela pulsação. Um desejo adaptado à cadência, que a aumenta e a sonoriza com os vislumbres de realização. Um desejo bombeado ao ritmo das pressas e dos vagares, um desejo que faça o granito romper até ficar macio como o mármore da caixa de todos os sonhos que, no fim, o vai guardar cumprido.

Vou à loja, o meu desejo é urgente e eu não posso sair mal servida nesta compra.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Os meus lápis de cor

«Se eu quiser eu pinto
a noite e o vento
sete são as cores
e outras mais invento
De vez em quando as músicas infantis até ensinam qualquer coisa...

segunda-feira, outubro 16, 2006

Um dia destes dou-te uma flor. Preferência?

Tenho alguma afeição a Emilie Simon, uma francesa que passou pelo rock e pelo jazz e se rendeu à electronica. Embora tenha um carinho especial pela sua versão de La Vie en Rose, a minha música da semana é Flowers (2003), mas também adorei saber que a moça já tem álbum de 2006, Végétal. Nos entretantos, vou ouvindo esta...

FLOWERS

I want to buy you flowers
It's such a shame you're a boy
But when you are not a girl
Nobody buys you flowers

I want to buy you flowers
And now i'm standing in the shop
I must confess I wonder
If you will like my flowers

You are so sweet and I'm so alone
Oh darling please
Tell me you're the one
I'll buy you flowers
I'll buy you flowers
Like no other girl did before

You were so sweet and I was in love
Oh darling don't tell me
You found another girl
Forget the flowers
Because the flowers
Never last for ever
Never last for ever
Never last for ever
My love...


Gosto de toda a letra mas esta omnisciência do final agrada-me em particular. Ou não.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Dá uma volta, sim, mas não de 360º

Estou a precisar de tempo pleno. Já há algum tempo que ando sempre com dificuldades num qualquer assunto dos visados pelo horóscopo. Sou capaz de ter tido no último ano uma meia dúzia de dias BEM, nos outros há sempre alguma coisa a levar cartão vermelho. Bem, ao menos agora trabalho eu tenho, e cabeça ocupada costuma ajudar. O que me leva a pensar que por muito trabalho que tenha, não trabalho tempo suficiente...

terça-feira, outubro 10, 2006

Faz hoje um ano III


Mais um episódio de comida requentada, porque quem manda aqui sou eu.
Conta-me, Grimm

Não tenho, no meu rol de pares de pombos conhecidos, um único exemplo que me cause inveja. Não que não se dêem bem, apenas o bem que se dão não justifica a privação dos amigos, da conversa com os amigos, do café com os amigos, do cinema com os amigos, dos copos com os amigos e mesmo da companhia dos amigos que, por mais assexuada que seja, causa sempre algum incómodo ao parceiro oficial de actividades hormonais.

Tive uma infância normal, acho. Os meus pais discutiam como os pais dos outros. Não passaram por nenhuma crise prestes-a-divórcio, o que, se calhar, até me teria dado um toque de exotismo traduzido em popularidade junto dos colegas de escola.

Em minha casa, como na casa de alguns dos meus colegas de pais mais dados à colecção dos clássicos, havia um livro chamado Contos de Grimm. Em minha casa, como na casa de alguns dos meus colegas de pais de consciência pesada, liam-se histórias ao deitar. Em minha casa, como na casa de muitos dos meus mais iludidos colegas de pais conscienciosos, liam-se os contos de Grimm às crianças, que passo a identificar: eu.
Isto de ser filha única tem as suas desvantagens, nenhum irmão que pudesse distrair o pai a ver se ele se esquecia da hora da leitura, alguém que ficasse doente a entreter e a exigir a atenção dos papões das histórias de adormecer.

Histórias de adormecer, literalmente. A trama repetia-se, só os nomes das personagens e do local mudavam; aqui tinha uma bruxa, na outra, um mago, naquela outra, uma fada. Invariavelmente, depois de uma série de peripécias, o moço ficava com a moça, independentemente do estrato social de um e de outro, e os maus eram castigados, e eu, depois de me conter naquela odisseia de escuta, imaginava que só seria feliz (não para sempre, mas pelo menos no instante em que o fizesse) se um dia conseguisse deitar as mãos àquele livro que ficava no alto das prateleiras a rir-se de mim. Aquele livro enganador que dizia que todas as histórias eram felizes para sempre. Sempre que se lia o livro o mundo era perfeito. Nunca gostei que me mentissem.

Hoje, nos duetos que por aí vejo, torno a ler os contos de Grimm, histórias felizes para sempre, sempre que namoram: com aqueles, assim como com os anteriores, bem como com os próximos, felizes sempre até durar.
Claro que também ja tive dessas histórias felizes para s.e.m.p.r.e., histórias Se Estiver Maçado Páre e Reduza o Enfado, e, por isso, foram substituídas por outras, como essas: boas, dentro do género...

Queria tanto entrar numa história do Grimm...

quinta-feira, setembro 28, 2006

It's a kind of magic!


Mochila às costas e «argent» q.b. para enganar o estômago no restaurante de gastronomia tradicional cá da terra, com aquele M de Portugal enorme em amarelo (com tudo o que tradicional tem de relativo, eu sei). Ora, como dizia, mochila, argent e o belo do bilhete de avião, bus e o «voucher» do hotel, lá fui. Às sete no aeroporto Sá Carneiro, às oito no avião, ao meio-dia em paris, às cinco no hotel (e sim, foi sempre seguido), às seis no parque, finalmente (fecha às oito). Olha-se à volta e já não interessa NADA o tanto que se andou e esperou e carregou e «demandou». Absolutamente lindo. Não lindo de estética. Quer dizer... não só! Lindo de magia mesmo.
Toda a gente bem-disposta, um monte de crianças em ponto normal e em ponto grande. Até eu! Bem, eu não era uma criança em ponto grande... Mas pronto! O staff é uma simpatia pegada, quer nos parques quer nos hotéis. Pensando bem, só o segurança do aeroporto não foi simpático. É assim tão grave eu ter uma tesoura de bico e uma faca de serra na mochila? Chama-se a isto ser uma mulher prevenida! Uma tristeza: gente sem ponta de magia na vida!

terça-feira, setembro 26, 2006

Faz hoje um ano II

A vida é bela
Nova segunda-feira, mais um dia como os outros.

Consegui chatear-me com meia dúzia de pessoas, ainda que elas não saibam. O poder do disfarce é fantástico. Estar com uma pessoa na mesa do café e contar-lhe todos os nossos segredos públicos até evita que nos passem um atestado de antipatia e arrogância. Quanto menor for a mesa do café, mais fácil se torna falar sobre coisas que realmente existam sem nos preocuparmos com o que os outros pensam, ou preocuparmo-nos em dar-lhes o que eles esperam ouvir de nós.

Se eu dissesse tudo o que penso, nao falava com ninguém. Quer dizer... até falava com alguns daquela mesa de café, outros não entenderiam. mas como o Homem é um animal social, que vive pelas relações que constrói e mantém, temos de manter as boas e polvilhá-las de outras indiferentes e até guardar, para crescer, as piores, autênticas molas de projecção pessoal e social.

Há dias assim, correm bem... dos maus nao vale a pena falar. nem é preciso, esses ficam...




Curioso como a mesa de café rodou, diminuiu e cresceu... Até a mesa do café e o próprio café são diferentes. Acho que até a marca do café. Eles dizem que os finos pelo menos são melhores. Dos amigos e/ou sócios do café, ficaram alguns. Para um ou outro não tenho sequer definição apropriada... Para o ano digo quantos alinham na 3ª época.

terça-feira, setembro 19, 2006

Faz hoje um ano I

Há exactamente um ano atrás estreava-me eu numa espécie de blog: o msn space. Foi assim mesmo, na altura era segunda e não terça, mas a moral é mais ou menos como a de hoje...

Blue Monday

Passamos o domingo a temer a desesperada segunda-feira para depois repararmos que não.. nada foi como esperávamos... a segunda-feira afinal nao é má:

tenho de me levantar um bocadito cedo para fugir ao trânsito ou para não me atrasar apanhando-o, mas não é má;
vou pela auto-estrada num carro com vidros eléctricos avariados e sem via-verde, o que quer dizer que a cada portagem faço stand-open-door-comedy, mas não é má;
dou três voltas ao parque de estacionamento antes de perder a paciência e deixar a relíquia em cima de um passeio, praticamente em frente ao posto da PSP, mas não é má;
chego à secretária, encontro-a carregada de documentos que não são meus, o telefone cheira a colónia barata e atendo uma chamada que é para a pessoa que esteve lá antes, e que eu não consigo descobrir de entre as tantas que lá passaram, só desta vez, a julgar pela variedade de vestígios deixados, mas não, a segunda-feira não é má;
o chefe está mal-disposto, como sempre, mas ninguém o manda escolher um clube que assume a cauda do campeonato, mas a segunda não é má;
vou almoçar sozinha e mesmo assim é difícil encontrar mesa, mas não é má;
volto para o trabalho e entre berros que saltam das secretárias ao lado, vou ouvindo algumas recusas e duas reuniões desmarcadas, o sr. silva mudou de ideias, ja não está interessado, e a direcção da clínica decidiu adiar a decisão, mas não é má;
volto para casa e como saio à mesma hora que os outros chego mais tarde do que eles, mas nao é má.

Não, a segunda não é má, é como os outros dias.

O problema é o fim de semana ser bom. Esse é que é o problema.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Areia e Sal


Vim ontem de férias e juro que não consigo perceber as pessoas que entram em casa e dizem: «Já tinha saudades». DE QUÊ?
Eu cá dou-me muito bem com o levantar cedo se tiver uma varanda de frente para a praia. Sair da cama para ir buscar pãozinho fresco não me aborrece nada se puder fazer o pequeno-almoço enquanto ouço as ondas a chamar por mim. A água fria não me chateia, mesmo quando não estava a contar com ela nas costas. Não poder parar 5 minutos na toalha vale-me um bronzeado homogéneo e exercício físico em paralelo, e pode até proporcionar as entradas ou o próprio almoço do dia seguinte.
Pequeno-almoço ainda ensonado, almoço caseiro, lanche na esplanada ou na praia, e um jantar de peixe (por quem sabe) enche-me as medidas.
Cheguei até à conclusão que a falta de computador e Internet na casa de praia é das melhores vantagens que o espaço pode oferecer, melhor sentar no chão e jogar às cartas. Melhor fazer desenhos. Melhor contar histórias. Melhor fazer história(s).
Não, não tinha saudades…

sábado, julho 22, 2006

Vá de ferias... wherever!

Não acredito que haja alguém que a esta altura do campeonato nao tenha começado a contar tostões para saber a quantos dias e a quantos quilómetros de casa poderá ir nos dias em que o patrão é obrigado a abrir mão de si involuntariamente ao abrigo de um qualquer artigo do código do Direito do Trabalho, o tal código que torna um assalariado contratado protegido por uma máquina governamental especial que transforma onze meses de trabalho em catorze meses de salário, va-se lá saber porquê. Não que o dinheiro seja muito, nunca é... Mas também não se pode dizer que o português comum ganhe menos do que merece...
Ora entao, FERIAS... Dei por mim ontem a concordar com uma rábula cartonista do JN:
- Quatro em cada cinco portugueses vai para fora cá dentro.
- Pois, e o outro, que sabe línguas, vai para fora que é mais barato...
Que o país está de tanga já nos disseram, mas nesta altura até proporciona um bronzeado mais apelativo... Agora faz-me alguma confusão que seja mais barato ir uma semana para a Madeira (fora cá dentro, mas da parte de fora) do que passar uma semana em Vila Nova de Cerveira, que fique (muito) mais barato ir uma semana para o Brasil do que para o Alentejo, que seja menos doloroso para a carteira refastelarmo-nos numa esteira em Cabo Verde do que fazer concorrência ao Zezé Camarinha entre as aveques e as camones no Algarve.
Todos nos queixamos do preço do combustível, mas começo a pensar que o defeito é dos veículos estupidamente gastadores com que nos movemos em terra, já que qualquer viagem que inclua avião fica mais em conta. Se bem que como as férias de cá nao incluem a viagem que o Pobre faz até ao destino, o problema poderá estar antes no custo da alimentação. Ora estamos a falar de cinco míseros pequenos-almoços que se fazem em duas horas e meia, máximo, na totalidade... talvez a diferença resida na qualidade do colchão, ou das vistas, ou entao, da falta de vista de quem faz, cá dentro, preços para fora.

sexta-feira, julho 14, 2006

Pirataria moderna

Acho um piadão ao Johny Depp a fazer de si próprio enquanto brinca aos piratas. Mas hoje em dia quando falam de pirataria não lhe atribuem nenhum do brilho que vemos nos filmes. A pirataria moderna refere-se à cópia, venda ou distribuição de material sem o pagamento dos direitos de autor.
A pirataria envolve os mais diversos produtos, como por exemplo, as roupas. Pergunto-me se uma costureira que copia um vestido de uma revista está a fazer pirataria ao fazer a cópia e comercialização sem pagamento de direitos ao detentor da ideia de fazer uma racha daquele tamanho? Também os utensílios domésticos são alvos de pirataria. Alguém me diz quem inventou a colher de pau, por favor? É que eu fiz uma na aula de trabalhos manuais e queria pagar os direitos à criatura… Já muito se falou de genéricos, mas o que é certo é que os remédios também padecem de pirataria. E mezinha de avó, também tem de pagar direitos? E como os direitos estão na ordem do dia, também há pirataria nos livros (em geral, já que falar em literatura era fechar muito o leque). Pergunto-me se a Margarida Rebelo Pinto paga direitos a si própria por estar sempre a escrever as mesmas coisas….
Não percebo muito de costura, há muito que deixei de ter trabalhos manuais, não me dedico às mezinhas sob risco de fazer piorar o doente e o meu caso com os livros é uma psicose bem resolvida com as estantes lá de casa… Mas quanto à música, utilizo a Internet sempre que posso, só não sei ainda o que é realmente pirataria na música. Alguém sabe?
(Este post integrou o programa Galeria, gravado ao vivo no Bar do Lago, no dia 12)

terça-feira, junho 20, 2006

Vantagens sociopessoais da world wide web

Nada valerá mais do que aquele abraço apertado de «Parabéns, sua cota!», mas confesso que perdi o tino ao abrir o envelope amarelo ocre todo estampado com tipo de letra verdeeamarelo que estava a sobrar da caixa do correio quando cheguei a casa do lanche, há pouco.
Já nem me lembro da última vez que recebi uma carta com o meu nome e endereço manuscritos, muito menos um pacote que não fosse uma encomenda da la redoute. Tive de ajudar com a mão para voltar a pôr o queixo no sítio e, depois que acordei, a reacção foi ligar e dizer-lhe «tem o teu dedo nisto, claro!».
Todo o gesto já valia por si só, mas o conteúdo ainda compõe mais a coisa: A Ditadura da Beleza e a revolução da mulheres parece-me um título mais do que justificado para ocupar a minha mesa de cabeceira nos próximos tempos.
Gosto muito de ti e espero ver-te muito em breve (assim que consiga acumular uns trocados!).
Obrigada, Neta, por teres marcado de forma tão positiva o meu ano.
P.S.: E estava eu ontem a falar do bom que é ter amigos que nos apresentam outros bons amigos...
Obrigada aos dois, entao!

segunda-feira, junho 19, 2006

Dia de S. Romualdo

Para quem não sabe, é hoje.
O senhor gostava de viver recolhido e fartava-se de criticar os outros abades, os de barriga gorda, não se sabendo ao certo de que tamanho seria a sua... E é este senhor que vem apontado no quadradinho de hoje nos calendários dos missionários que todos os anos vão adornando, cumulativamente, a parede da cozinha da minha avó...
É ele que a lembra que neste dia puxa-se uma vez mais o manípulo da minha slot machine...
E logo agora que me estava a habituar aos vinte e cinco...

quarta-feira, junho 14, 2006

Junho de casamentos

Ha dias em que apetece ir para a praia. Este não é desses. Por incrível que pareça estamos em meados de Junho, já com o Estio à porta, e somos molhados com aquelas pingas que se esqueceram de vir em altura própria... (como algumas pessoas que eu conheço). Este tipo de alterações meteorológicas até podiam ser francamente boas para os campos, para não deixarem toda a agricultura portuguesa parecer feno, mas Valha-me Deus... EU tenho de ir a um casamento no sabado!
Toda a gente sabe que as roupas para os casamentos se mandam fazer com antecedência... que faço eu ao meu vestido finíssimo e em versão cabriolet? aplico-lhe uma capota? e às sandálias? calço umas meiinhas de desporto por baixo para ver se não constipo os pés? mulher sofre... sem contar com a mala, toda em tecidinho, claro que a vou levar na mesma, não posso é por-lhe a nota para dar aos noivos no fim. Não é por má intenção, claro, mas toda a gente sabe que o papel à chuva se estraga, melhor guardá-lo bem guardadinho...

terça-feira, junho 06, 2006

Amiga Mesmo?

Estranho como é preciso irmos abaixo para vermos melhor algumas coisas. Às vezes pergunto-me se sou mais amiga daqueles a quem chamo meus amigos e que estão naquele grupinho mais pequeno dos contactos da página dos smiles, ou se porventura teço maior consideração àqueles que tenho aglomerados nos outros contactos.
O facto é que se por acaso estou triste com alguma coisa, os amigos vêem-me triste e preocupam-se. Os outros vêem-me sempre de sorriso na cara como se eu tivesse imunidade aos problemas, ao tempo, ... aparentemente ao mundo em geral. De quem sou amiga entao? Dos que faço preocupar ou daqueles que poupo? Se estou mal-disposta, quem leva por tabela são os amigos, que têm sempre um descontinho no bolso, para os outros há sempre um depósito de simpatia... E, no entanto, é daqueles que me vejo amiga...
O Homem é bicho esquisito...

sábado, maio 27, 2006

Luz

E, de repente, surge uma luz ao fundo do túnel. Como sabe bem ter pé na água...

quinta-feira, maio 18, 2006

O caminho faz-se a andar...

«Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar... »

(Excerto do poema "Cantares" do espanhol Antonio Machado y Ruiz.)

quarta-feira, maio 17, 2006

Ruídos da semana

Ouvi num filme (talvez série) português uma frase que se me assomou como uma tomada de consciência das fotocópias psicossociais em que todos nos tornamos, ou nos vamos tornando, com maior ou menor resistência:
.
«Já não sei quanto de mim é invenção dos outros
.
Será que alguém sabe onde começa e onde acaba? O que mudou porque quis e o que mudou para se moldar? Será que alguém muda porque quer?

domingo, maio 14, 2006

Quanto é que eu lhe paguei?

Este fim de semana fui a uma inauguração de um espaço nocturno. Quer dizer, uma remodelação: uma casa fez uma cura de sono durante alguns meses (ou nao?) e foi reaberta ao público nos mesmos moldes em que funcionava antes e exactamente com o mesmo nome.
Entre pitas, peruas, e toda a moldura humana que me parecia tão familiar (é ridículo, mas eu até me atrevo a pensar que os clientes são exactamente os mesmos de outros espaços da região, alguns entretanto cerrados, para férias, talvez...), como eu dizia, entre as criaturas do costume, lá andava uma câmera a cirandar, com uma wanna-be-a-jornalista de rojo, a tentar localizar os (mais) colunáveis, tendo pelo caminho de se desviar dos distintos senhores que durante a noite se pavoneavam com algumas amigas, que a mulher, em casa, julga ser os amigos do bilhar.... E eis que a menina decide perguntar ao gerente qual o segredo para uma casa funcionar, ao que ele responde eticamente 'trabalho', e como ter gente bonita na casa, mas nesta questão o senhor decidiu descer do salto: 'é fácil, paga-se!'.
Juro que pensei que, a seguir, a pergunta seria do gerente para a aprendiz de pivot: 'por falar nisso, quanto é que eu lhe paguei?'

sexta-feira, abril 28, 2006

Remédios do outro Mundo

Depois era toda aquela sensação de que tudo corria mal: o pneu furava (está bem que tava careca, mas também podia ser por causa de um buraco na estrada); depois o carro brecou (ainda que tenha sido por falta de gasóleo, podia muito bem ter sido por causa de uma avaria no motor); na conta restavam meia dúzia de cêntimos (sim, comprei aquelas calças e aquele casaco lindíssimo, mas se tivesse estado doente, entre o pagamento da consulta e os medicamentos tinha ficado na mesma precariedade); namorado, bem... já nem me lembro do último (único?) que tive (ok, não tenho procurado, mas também nao tenho estado escondida)...
Resumindo, a minha vida precisa de uma intervenção sobrenatural, com ou sem baralho de cartas, com ou sem bola de vidro, preciso de ir à bruxa!
Sim, vou, mas não sei por onde hei-de começar... Apresento-lhe uma lista de prioridades? Começo por falar do amor (da falta dele)? Ou do trabalho (quer dizer, eu queria mesmo era um emprego)? Claro que também era importante resolver a questão do dinheiro. Penso que nessa questão, aliás, obtemos o melhor trabalho dessas notáveis senhoras. Encomendamos a mezinha, e depois dizemos: quando, por ter feito um bom serviço, me tiver resolvido a questão, passo por cá e pago-lhe.
É que eu vim à consignação...

terça-feira, abril 25, 2006

Hey

...
Hey!
que hay veces que es mejor querer assi
que ser querido y no poder sentir
lo que siento por ti.
...
Hey!
no creas que te guardo algun rencor
es siempre mas feliz quien mas amó
y ese siempre fui yo.
...
(Não é coincidência. É, sim, uma música do tio Julio.)

O melhor das relações, creio, é que mesmo quando nem tudo corre bem, uma pessoa não se consegue arrepender de um minuto que tenha dado. E aos outros parece farsa...

quinta-feira, abril 20, 2006

Cortiça e Ouro

Toda a gente sabe que o ouro é mais valioso que a cortiça, nao querendo com isto tirar importância a este produto nacional. Mas este realmente é o ideal para representar o fatalismo português (e semelhanças com o filme baseado em Diderot não tem que ser coincidência). O português acha que tem sina para o azar, para a a desgraça (alguém falou em fado?)
O português tem de fazer um esforço titânico para conseguir encontrar as coisas boas que tem, as coisas que valem ouro, e esforço titânico, porque que por pesarem como ouro só podem estar no fundo, bem lá no fundo. Mas estão.
Assim, quando olha à volta, só vê problemas em formato-cortiça. Não é o ouro o que temos mais bem guardado? Porquê guardado e também esquecido?

terça-feira, abril 18, 2006

Manual de Matemática

Sim, tens, realmente um problema.
Ir ao café sozinho é sempre uma hipótese possível e não necessariamente má.
O carro não funcionar é um aborrecimento.
Ficar sem saldo é um contratempo.
Ter de trabalhar mais uma hora ou mais um dia é uma contrariedade.
O gás ter acabado pode tornar-se uma chatice muito fria e desconfortável.
Mas essa falta que sentes é um problema. como o era o nao saberes que sentias essa falta. Problema, mas identificado. Falta de carinho, de relações, de paz, sobretudo de paz. é bom termos algumas certezas em relação ao Futuro, para não dar vontade de lhe fugir.
Tentas acabar com essa falta que sentes e não ha meio de resolver.
Pôs-se em equação as actividades desenvolvidas, a sua pertinência ou a sua qualidade de obsoletas. Pôs-se em possibilidade realizar um leque de actividades alternativas, nenhuma com capacidade de preenchimento (concluiu-se antes sequer de as pôr em prática).
Durante algum tempo optas por caminhar no escuro, às cegas, para conhecer melhor o caminho, para ver as coisas importantes, para notar os obstáculos. Mas quando pelas frinchas dos estores passam gotas de luz vêem-se, à distância de gestos então não tomados, que passavam assim despercebidas pequenas máquinas de sorrisos. Nao conseguimos calçar a luva e usar o anel.
O relógio não parou, virou-se a página ao calendário, trocou-se o calendário por um outro, igualmente de origem benemérita.

Problema identificado, mas não resolvido.
Tentativa, erro, tentativa, erro…
Acendes a luz, olhas à volta. E esperas, sem ais, que a tua vida seja como aquele manual de matemática que possuía ele próprio a solução de todos os problemas.

quinta-feira, abril 13, 2006

Sem ais nem menos, sem mais nem ontem

...comprei a jarra
...abriu a janela
...um sinal de perigo
...disseste-me 'então?'
...saiu para a farra
...fugiu com ela
...ri-me contigo
...rangeu o portão
...meia dúzia de linhas

sem (m)ais nem menos... ou não.