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sexta-feira, abril 06, 2007

Afiar os dentes

Dizem que se deve ir ao dentista uma vez por ano. Diz-se o mesmo de outras variedades da medicina. O que é facto é que eu posso ver mal e ter uns olhos bonitos, mas com os dentes a coisa pia mais fino. Os dentes influenciam no aspecto geral de cada um e até (peço desculpa se a imagem for pouco apelativa) no cheiro de cada um. Eu gosto de apreciar dentes. E sorrisos. Não sou um exemplo no que diz respeito às visitas ao tal estomatologista, mas tenho sorte. Tenho a boca cheia de dentes, mais ou menos bem alinhados, que nunca me deram problemas de maior. Não sei o que é uma dor de dentes (assim fosse com as de cotovelo).

Dizem que a saúde é uma grande riqueza e estúpidos seríamos se não concordássemos. Os dentes também são uma riqueza. Até marfim têm. E o marfim sempre foi objecto de cobiça. Claro que ninguém olha de inveja para a boca mais preenchida de outrém a pensar «Aquele é que tem marfim!... eu não tenho quase marfim nenhum...», mas é cobiça.

Época houve em que o comércio do marfim estava em voga, era mais uma maneira de usufruir das riquezas tribais. Ontem fizeram-me pensar nisso mais a fundo, em A Frente do Progresso, do polaco Joseph Conrad, uma espécie de Apocalipse Now trazida para o palco do Teatro Carlos Alberto. Um entreposto comercial plantado ao sol no meio de mosquitos e de uma tribo enganada pelo tempo. O objectivo: conseguir marfim. O marfim era conseguido através de justíssimas trocas directas com os indígenas, justíssimas porque é justo que o marfim seja entregue a quem o quer. E era. Marfim, mais de gente do que de animais, entregue mais a animais do que a gente.

quinta-feira, março 29, 2007

A Saúde está doente... e independente

Não, não acontece só aos outros.
Não me agradam as notícias das filas de espera, as manobras de pseudo-baixa de preços dos medicamentos, o fecho de maternidades, de SAPs e de unidades de apoio à saúde em geral.
Curioso como fecha tudo, mas as farmácias continuam a nascer como cogumelos no orvalho. Deve ser uma espécie de lei da compensação. Como não posso pedir aconselhamento, aconselho-me eu e que uma força de maior poder me auxilie.

Tenho em crer que a seguir esta política de que 'pouca gente não vale uma unidade de saúde aberta' qualquer dia recusam os serviços de saúde a famílias pequenas. Já estou a imaginar a triagem: «Pai, mãe e filho? Só? Não é preciso médico de família, há poucas probabilidades de precisarem de serviço médico. Só as famílias grandes é que precisam. Vivem atafulhadas, alimentam-se de pouco, tossem uns para cima dos outros. Médicos só para as famílias grandes!»
E que não adoeçam todos de uma vez que o Sótôr não se pode demorar que tem já gente à espera em casa e ganha muito mais.

Nestas alturas o que eu gostava que os pais dos ministros vivessem em recônditas aldeias do interior e tivessem de visitar amiúde as unidades de saúde mais próximas*...
(*entendamos próximas na definição que o dicionário da Universidade Independente lhe atribui: «longe, muito longe da realidade»)

quinta-feira, março 15, 2007

sim, sô guarda!

Ó, desculpe, isso é meu!!
(Havia de ser bonito se eu chegava dois minutos depois. Carro pendurado, escrita em dia. «Quem incomoda, incomoda-se». Nojentos!)

Ai e tem de pagar.
Não tenho cheques aqui, pago com multibanco.
Ai não temos. Tem de levantar.
Onde?
Só um momento, chamamos um carro patrulha, e leva-a ao multibanco mais próximo, não se importa, pois não?
E quê? posso tirar uma foto para mostrar mais tarde aos netos com uma história toda rocambolesca a colorir? Não? Pronto, eu vou na mesma.

Multibanco a acompanhar era o mínimo não?
Tesos, sim, quase todos somos. Na carteira, então, vivinho, como a sardinha do 'noss'mari, salvo raros capitalistas, carteiristas e propagandistas, somos todos.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Então e hoje, posso estar doente?

Talvez seja da água. Entre amigos, colegas de trabalho e alunos, e familiares de uns, outros e aqueloutros, na última semana houve baixas suficientes para fazer levantar a bandeirinha branca em qualquer frente de batalha.
Ora eu, que sou vaso ruim e, portanto, não me vou abaixo por dá cá aquela gripe, resisti... Até que a febre me mandou para a cama precocemente no Sábado por volta das três, praticamente à hora da cinderela. Num Sábado!! Sábado não é dia para estar doente! Para compensar no Domingo só me levantei para dois episódios irrefutáveis da biologia. Mas hoje, Segunda-feira, não é dia para estar doente. Quer dizer... pelo menos não para mim, que trabalho a recibos verdes...
No entanto, cheguei a casa e visto o frio que se sentia e a minha dor de cabeça ameaçadora, e a tosse que me faz corcunda a cada trinta segundos, e o pingo no nariz a uma velocidade de 20 pl/h (pacotes de lenços por hora), dei-me ao luxo de avisar uma explicanda que hoje estava doente, de cama, impossibilitada de dar explicações, ao que me foi respondido depois de chamadas insistentes «mas eu tenho teste amanhã». Não respondi.
Estou doente. Posso, não posso?

sábado, julho 22, 2006

Vá de ferias... wherever!

Não acredito que haja alguém que a esta altura do campeonato nao tenha começado a contar tostões para saber a quantos dias e a quantos quilómetros de casa poderá ir nos dias em que o patrão é obrigado a abrir mão de si involuntariamente ao abrigo de um qualquer artigo do código do Direito do Trabalho, o tal código que torna um assalariado contratado protegido por uma máquina governamental especial que transforma onze meses de trabalho em catorze meses de salário, va-se lá saber porquê. Não que o dinheiro seja muito, nunca é... Mas também não se pode dizer que o português comum ganhe menos do que merece...
Ora entao, FERIAS... Dei por mim ontem a concordar com uma rábula cartonista do JN:
- Quatro em cada cinco portugueses vai para fora cá dentro.
- Pois, e o outro, que sabe línguas, vai para fora que é mais barato...
Que o país está de tanga já nos disseram, mas nesta altura até proporciona um bronzeado mais apelativo... Agora faz-me alguma confusão que seja mais barato ir uma semana para a Madeira (fora cá dentro, mas da parte de fora) do que passar uma semana em Vila Nova de Cerveira, que fique (muito) mais barato ir uma semana para o Brasil do que para o Alentejo, que seja menos doloroso para a carteira refastelarmo-nos numa esteira em Cabo Verde do que fazer concorrência ao Zezé Camarinha entre as aveques e as camones no Algarve.
Todos nos queixamos do preço do combustível, mas começo a pensar que o defeito é dos veículos estupidamente gastadores com que nos movemos em terra, já que qualquer viagem que inclua avião fica mais em conta. Se bem que como as férias de cá nao incluem a viagem que o Pobre faz até ao destino, o problema poderá estar antes no custo da alimentação. Ora estamos a falar de cinco míseros pequenos-almoços que se fazem em duas horas e meia, máximo, na totalidade... talvez a diferença resida na qualidade do colchão, ou das vistas, ou entao, da falta de vista de quem faz, cá dentro, preços para fora.

sexta-feira, julho 14, 2006

Pirataria moderna

Acho um piadão ao Johny Depp a fazer de si próprio enquanto brinca aos piratas. Mas hoje em dia quando falam de pirataria não lhe atribuem nenhum do brilho que vemos nos filmes. A pirataria moderna refere-se à cópia, venda ou distribuição de material sem o pagamento dos direitos de autor.
A pirataria envolve os mais diversos produtos, como por exemplo, as roupas. Pergunto-me se uma costureira que copia um vestido de uma revista está a fazer pirataria ao fazer a cópia e comercialização sem pagamento de direitos ao detentor da ideia de fazer uma racha daquele tamanho? Também os utensílios domésticos são alvos de pirataria. Alguém me diz quem inventou a colher de pau, por favor? É que eu fiz uma na aula de trabalhos manuais e queria pagar os direitos à criatura… Já muito se falou de genéricos, mas o que é certo é que os remédios também padecem de pirataria. E mezinha de avó, também tem de pagar direitos? E como os direitos estão na ordem do dia, também há pirataria nos livros (em geral, já que falar em literatura era fechar muito o leque). Pergunto-me se a Margarida Rebelo Pinto paga direitos a si própria por estar sempre a escrever as mesmas coisas….
Não percebo muito de costura, há muito que deixei de ter trabalhos manuais, não me dedico às mezinhas sob risco de fazer piorar o doente e o meu caso com os livros é uma psicose bem resolvida com as estantes lá de casa… Mas quanto à música, utilizo a Internet sempre que posso, só não sei ainda o que é realmente pirataria na música. Alguém sabe?
(Este post integrou o programa Galeria, gravado ao vivo no Bar do Lago, no dia 12)